O recente e dinâmico ambiente marinho!

 Nas áreas de acumulação das planícies fluviomarinhas, entendidas como depósitos sedimentares tércio-quaternários da Era Cenozoica, podemos evidenciar a complexidade de uma unidade em um constante e intenso processo de trocas de materiais e energias entre as planícies fluviais, a faixa litorânea e os tabuleiros costeiros na unidade dos depósitos sedimentares cenozoicos. Essa situação lhe rende um caráter peculiar de um geomorfossítio ativo na plena dinamicidade dos diferentes tipos de relevo, rochas e minerais.
A atuação humana sobre estas áreas poderá alterar tais fluxos, estando vulnerável aos diversos impactos sociais e econômicos, e isso pode caracterizar um novo tempo ou evento geológico denominado Antropoceno. Por ser uma área de idade geológica recente é possível afirmar que a tendência de erosão e desequilíbrio natural são mais sensíveis e passiveis de ocorrências, havendo rápidas mudanças espaço-temporais, características peculiares do Antropoceno. A zona litorânea se apresenta como uma área condicionada e não condicionante, de idade geológica recente, em processo recente de formação (neoformação), onde a paisagem e o espaço se transformam rapidamente.
A ocupação irregular sobre a faixa de praia tende a desequilibrar o fluxo de transporte de sedimentos promovidos pela ação mecânica do mar, condicionando assim transformações significativas das feições da linha de costa. É possível observar que tais modificações são possíveis por falta de sedimentos e esgotamento da fonte, principalmente na plataforma continental, considerando que os problemas ambientais não são apenas locais.
A ação da água exerce um atrito sobre os sedimentos “soltos” na praia, alterando assim a sua morfologia e, consequentemente, a hidrodinâmica local. É possível entender, em linhas gerais, que existe uma relação direta entre a constituição da morfologia dos sedimentos dispostos na praia de acordo com o seu gradiente espacial e temporal e a caracterização de uma hidrodinâmica evolutiva.
O critério morfodinâmico considera a mobilização dos sedimentos do fundo marinho pela ação das ondas e o seu deslocamento ao longo de um perfil perpendicular à costa e a resposta da porção emersa do litoral aos efeitos da erosão, transporte e acumulação resultante desse processo de fluxo sedimentar . A resposta a esse processo estará subordinado ao clima de ondas e a exposição dos sedimentos, não deixando de considerar as suas feições geológicas. A intensificação dessa dinâmica estará interligada pela intervenção humana que se dispõe de forma insustentável no Antropoceno.
A Praia das Barreiras apresenta-se de forma aberta para a ação abrasiva do mar e recebe uma dinâmica praial na interação entre ondas, marés e sedimentos, constituindo a assim a sua morfodinâmica. A relação entre esses condicionantes proporciona uma harmonia que contempla um sistema de múltiplas e complexas interações, sendo necessário salientar diversos agentes (naturais ou antrópicos, exógenos ou endógenos) que se convergem em um sistema aberto.



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